Curso Ensina a Fazer Móveis com Bambusa oldhamii

Amigos do bambu,

A cada dia aumenta o número de bambuzeiros em nosso país, graças à forte atração que a gramínea exerce sobre os interessados. Pelo menos é isso que constatamos nos cursos que a BambuSC vem oferecendo ao público, como o deste último sábado, dia 29 de setembro, aqui em Florianópolis. Vejam o exemplo dos jovens Odanir Montag (agricultor) e Valdir Canossa (estudante), que sacrificaram duas noites de seu descanso semanal para se deslocarem de Seara até Florianópolis, num trajeto de mil quilômetros (ida e volta), porque queriam participar do curso de oito horas ministrado pelo artesão Gilmar Telles, especialista na arte de fabricar móveis de bambu. Como explicar a disposição deles, de gastar tempo e dinheiro nesta atividade, senão pela atração que o bambu exerce sobre as pessoas?

Dois outros participantes vieram de Imbituba e os três restantes eram da capital. Todos botaram a mão na massa, com um entusiasmo de dar gosto. Sob a orientação do mestre Gilmar eles construiram uma cadeira, uma mesa e uma moldura de bambu, usando as varas fornecidas pelo Sítio Vagalume, do bambuzeiro pioneiro Marcos Marques. Aliás, foi a primeira vez em Santa Catarina, e possivelmente no Brasil, que se usou varas da espécie Bambusa oldhamii para fazer móveis. Trata-se de um bambu resistente a geadas de até – 9 °C, portanto adequado até para o clima da região mais fria do país, que é a Serra Catarinense. Os seus colmos de cor verde claro são retilíneos e apresentam dimensões adequadas para móveis de bambu roliço, isto é, diâmetro externo de 8 a 10 cm e comprimento de até 18 m. Após a secagem a cor muda para marrom claro, que confere aos móveis uma aparência mais rústica do que os tradicionais móveis feitos de cana-da-índia.

O curso foi realizado na Fazenda Experimental da Ressacada, que faz parte do Centro de Ciências Agrárias da UFSC em Florianópolis. A parceria com a BambuSC existente desde 2010, graças aos esforços do bambuzeiro Marcelo Venturi, que trabalha na fazenda como engenheiro agrônomo e que foi um dos fundadores da BambuSC. O local oferece a infraestrutura necessária para a realização de cursos teóricos e práticos, além de abrigar o primeiro bambuseto público de Santa Catarina, com uma coleção de dez espécies diferentes de bambu. Vejam as fotos do curso feitas pelo Marcelo clicando aqui.

Ao final do curso os participantes decidiram fazer uma visita à Bambu Arte do mestre Gilmar (ver www.bambuarte.com) , para conferir de perto as instalações do seu local de trabalho, localizado à beira da Rodovia SC-405, entre os bairros Campeche e Morro das Pedras. Puderam observar o grande estoque de varas de bambu tratado, de quatro espécies diferentes, a oficina e a sala de exposição de móveis de bambu e rattan, que serve de vitrine para a sua empresa familiar. Os estofados dos móveis são confeccionados pela esposa e o filho ajuda o pai nas tarefas da oficina. Há mais de duas décadas a família se dedica ao bambu e dele obtém o seu sustento.

Quero agradecer, em nome da BambuSC, a todas as pessoas que participam do esforço para realizar os nossos cursos, dedicados à formação de novos bambuzeiros. A qualidade destes cursos é sistematicamente avaliada pelos próprios participantes, que preenchem fichas individuais de inscrição e avaliação. Os itens avaliados abrangem dez aspectos, incluindo as atividades que antecedem os cursos, como as inscrições, a escolha da data e o valor da taxa, a organização, as instalações, o desempenho dos instrutores e até a alimentação oferecida. Os índices de aprovação de nossa qualidade tem sido bastante elevados, o que nos estimula a manter e aperfeiçoar o padrão oferecido. Também temos recebido e usado as sugestões dos participantes, mas ainda temos dificuldade para atender aos constantes pedidos de fornecimento de mudas, pois ainda não temos perspectiva de aumentar a oferta no curto prazo. Alguém se habilita a preencher esta lacuna?

Abraços a todos.

Hans Kleine
Presidente da BambuSC

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