Em conversa recente com Cláudia Morosi Czarneski, assessora técnica da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento – SEPED, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, apontamos informações sobre os gargalos da cadeia produtiva do bambu para um Grupo de Trabalho, no âmbito da Câmara Técnica de Fibras Naturais, da qual participam vários Ministérios e algumas instituições que trabalham com fibras naturais.
Uma olhada no retrovisor indica que o Brasil avançou bastante nestes primeiros 18 anos do século 21, em relação ao bambu: com o auxílio da Internet formamos grupos de discussão, criamos associações, sites e páginas nas redes socais, realizamos cursos, campanhas de divulgação, seminários nacionais, pesquisas acadêmicas, aprendemos a produzir mudas em larga escala, sensibilizamos órgãos de governo, visitamos outras regiões e países, entramos como o 43º país a se filiar ao INBAR (depois de anos de espera), enfim – criamos um ambiente favorável para um salto maior, que seria a industrialização do setor produtivo.
O que ainda nos amarra bastante são justamente os gargalos, que são muitos, mas entre os quais destaco:
- Regulamentação da Lei Federal 12.484 de incentivo ao cultivo do bambu e proteção das espécies nativas, pendente desde 2011.
- Material didático produzido no Brasil, como livros, cartilhas, folders, vídeos, cursos à distância, etc. – existe uma enorme demanda reprimida no mercado.
- Faltam estudos de viabilidade econômica do cultivo do bambu para diversos usos finais, como: 1) produção de brotos comestíveis; 2) colmos para móveis, artesanato, construção, palitos, laminados, etc.); 3) extratos das folhas e dos brotos para bebidas, cosméticos e produtos medicinais; 4) biomassa e carvão para geração de energia; 5) compósitos de bambu e diversos materiais; etc. etc.
- Mapeamento nacional das reservas de bambu nativo e dos plantios existentes, com área superior a 10 hectares (ou outro valor a ser definido).
- Mapeamento nacional agro-climatológico das regiões favoráveis ao cultivo do bambu, com distinção entre espécies alastrantes e entouceirantes.
- Instituir um Programa Nacional de Cultivo do Bambu no MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com metas e prazos definidos para uma década.
Estes são os ítens prioritários a meu ver, porém há espaço para sugestões de outros ítens mais pontuais:
- Inclusão do cultivo do bambu nos cursos de engenharia florestal, agronomia e nas escolas técnicas agrícolas.
- Inclusão do cultivo do bambu entre as culturas financiáveis dos agentes financeiros.
- Inclusão do cultivo do bambu no Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas.
- Criar um centro de estudos do bambu dentro da estrutura da Embrapa.
- Incentivar a criação de no mínimo um polo industrial de bambu em cada uma das 5 regiões do país.
A superação destes gargalos é fundamental para conquistar o interesse de empresas industriais e de investidores em geral, que se disponham a plantar em escala adequada para colocar o Brasil entre os produtores mundiais de porte médio em um prazo de 20 anos.
Créditos texto: Hans J. Kleine